Depois de seis filmes brincando de desconstruir o terror, Pânico 7 resolve fazer algo ousado: repetir a fórmula… só que com menos brilho.
A volta de Neve Campbell como Sidney Prescott é praticamente um pedido de desculpas em forma de casting. Ela entra em cena e, por alguns minutos, a gente lembra por que essa franquia já foi referência. O problema é que o filme parece depender exclusivamente disso, como se nostalgia fosse personalidade.
🩸 Violência em alta, inteligência em falta
O Ghostface continua atlético, motivado e com uma agenda cheia de compromissos homicidas. As mortes são gráficas, o sangue espirra com entusiasmo e há cenas que realmente criam tensão.
Mas impacto visual não substitui roteiro consistente.

O suspense funciona até certo ponto, só que é previsível. Quando o telefone toca, você já sabe. Quando alguém fica sozinho num ambiente escuro, você já sabe. Quando surge o discurso explicando as motivações… você definitivamente já sabe.
A franquia que antes ironizava os clichês agora parece confortavelmente instalada dentro deles.
🧠 Uma história que anda em círculos
O roteiro tenta soar relevante, mas acaba parecendo automático. Tudo é construído em cima de referências ao passado, como se o filme tivesse medo de caminhar com as próprias pernas. Em vez de reinventar, ele recicla.
Os personagens novos até aparecem com potencial, mas rapidamente viram peças descartáveis num jogo que a gente já aprendeu a jogar há décadas. E quando chega a revelação final, falta aquele soco no estômago. É mais um leve empurrão.
🎭 A presença que sustenta

Sidney ainda tem força. Neve Campbell entrega maturidade, cansaço e intensidade na medida certa. Ela carrega a narrativa nas costas, mesmo quando o texto insiste em tropeçar. É quase injusto colocar uma protagonista tão icônica dentro de uma trama tão morna.
🔪 Veredito
Pânico 7 não é constrangedor. Ele entretém. Ele tem ritmo. Ele tem sangue suficiente para satisfazer fãs de slasher.
Mas para uma saga que sempre foi sinônimo de ironia afiada e inteligência metalinguística, este capítulo parece seguro demais — quase domesticado.
É um filme que joga para não perder… e acaba não ganhando nada.
Se a intenção era revitalizar a franquia, ficou parecendo manutenção preventiva.
