Em meio a estandes gigantes, luzes intensas e produções milionárias, existe um espaço na gamescom latam onde tudo parece mais… humano. É ali que os jogos independentes respiram, experimentam e, muitas vezes, surpreendem mais do que qualquer blockbuster.
Entre tantos projetos, dois títulos chamaram atenção por caminhos completamente diferentes — quase como se cada um representasse uma face distinta do que significa criar um jogo hoje: Croak, Rain98.
🐸 Croak: movimento, estilo e precisão

À primeira vista, Croak já conquista pelo visual. Tudo parece vivo, como se tivesse sido desenhado quadro a quadro — e, em muitos momentos, realmente foi. O jogo carrega aquela estética artesanal que lembra animações clássicas, mas com uma identidade própria que salta aos olhos.
Mas é no controle que ele realmente brilha.
Aqui, você assume o papel de um príncipe transformado em sapo, preso em uma maldição que precisa ser desfeita. Só que, diferente de plataformas tradicionais, o movimento não depende apenas de pulo —
a língua do personagem vira sua principal ferramenta.
Ela serve como gancho, impulso e arma, criando uma gameplay baseada em ritmo, precisão e criatividade. Cada fase parece um pequeno quebra-cabeça em movimento, onde errar faz parte do aprendizado… e acertar é extremamente satisfatório.
É rápido, técnico e elegante. Um daqueles jogos que parecem simples — até você tentar dominar.
🌧️ Rain98: silêncio, chuva e desconforto

Se Croak é movimento, Rain98 é pausa.
Ambientado em uma Tóquio melancólica de 1998, o jogo mergulha em uma atmosfera pesada, onde a chuva nunca para — e isso não é apenas estética, é mecânica.
A história acompanha dois personagens quebrados:
um que deseja desaparecer… e outro que tenta, de alguma forma, mudar o mundo ao seu redor.
Aqui, não há pressa. Não há ação frenética.
O foco está nas escolhas, nos diálogos e no impacto silencioso de cada decisão.
A chuva, constante, quase hipnótica, influencia o ambiente, as pessoas e até o rumo da narrativa. É um jogo sobre sensação — sobre desconforto, introspecção e aquelas perguntas que não têm resposta fácil.
Não é feito para agradar todo mundo.
Mas para quem entra na proposta… é difícil esquecer.
⚡ Dois jogos, um mesmo espírito

Colocar esses dois títulos lado a lado é entender o que torna a cena indie tão especial.
- Croak impressiona pelo controle e pelo estilo
- Rain98 mergulha fundo na narrativa e na emoção
Eles não competem entre si. Eles coexistem.
E juntos mostram que, longe dos grandes orçamentos, existe um espaço onde a criatividade ainda dita as regras.
Na gamescom latam 2026, enquanto muitos buscavam o próximo grande lançamento…
foram esses pequenos mundos que provaram algo essencial:
o futuro dos games não depende só de escala —
depende de ideia.
